Pesquisa identifica as principais tendências na descoberta e desenvolvimento de novos medicamentos para terapia genética

Um grupo multidisciplinar de pesquisadores das áreas de Administração, Medicina e Terapia Gênica acaba de publicar um artigo que identificou tendências tecnológicas com enfoque em terapias não-virais.

O trabalho intitulado “Emerging patent landscape for non-viral vectors used for gene therapy”, divulgado no dia 07 de fevereiro na revista Nature Biotechnology, busca explorar as terapias gênicas em desenvolvimento, projetar um panorama desse setor e entender os principais segmentos e suas tendências atuais. Para isso, são utilizadas ferramentas como “big data”, mineração de dados de estudos clínicos e de patentes.

A cooperação envolve profissionais do Centro de Terapia Celular da USP (CTC-USP), Dimas Tadeu Covas e Virginia Picanço e Castro, do Instituto Butantan, Cristiano Pereira, do Instituto de Estudos Avançados da USP Polo Ribeirão Preto (IEA-RP), Geciane Porto, da University of Patras – Grécia, Aglaia Athanassiadou, e da Purdue University College of Veterinary Medicine – EUA, Marxa Figueiredo.

Nos últimos anos, o setor de terapia genética experimentou um crescimento acelerado. Alguns produtos já estão no mercado e o sucesso deles marca uma transição da descoberta para a comercialização.

“O desafio de prever tendências em um campo em desenvolvimento são as limitações da literatura unidimensional, como o Pubmed, como fonte de informação. Outro problema resulta da quantidade de patentes (mais de 4.500) relacionadas a vetores não virais encontradas no banco de dados de patentes PatSnap, que abrange escritórios de todo o mundo. A leitura destes documentos não seria possível sem o uso de mineração de dados, análise de texto e distribuição de frequência de palavras para examinar as interações entre pessoas, grupos e organizações no campo da terapia genética e nos subcampos estudados”, explica Marxa Figueiredo, professora do Departamento de Ciências Médicas da Purdue University – EUA.

De acordo com Geciane Porto, vice-coordenadora da Agência USP de Inovação, “a  utilização de patentes em pesquisas de monitoramento tecnológico tem permitido a identificação de potenciais inovações, antes mesmo destas chegarem  ao mercado. O investimento no desenvolvimento de vetores não virais poderá no futuro disponibilizar tecnologias que possam proporcionar um maior acesso aos seus respectivos tratamentos, uma vez que os vetores virais apresentam grande complexidade regulatória para a sua aprovação.

Segundo Virginia Picanço e Castro, pesquisadora do CTC-USP, os bancos de dados de patentes são uma ferramenta abrangente e fornecem uma imagem mais precisa da tecnologia de ponta no campo da entrega de genes, em relação a pesquisas de literatura científica como o Pubmed.

“Neste trabalho, patentes relevantes foram analisadas, fornecendo conhecimentos que permitiram aos pesquisadores identificar um pequeno, porém altamente promissor ressurgimento de vetores não virais como atores desse setor econômico. Estudamos citações de patentes, temas de patentes, analisamos o conteúdo de textos e extraímos os termos mais frequentes nas últimas décadas e, nos últimos 5 anos, para detectar tendências emergentes”, destaca Castro.

Atualmente, a maioria dos ensaios de terapia gênica utiliza vetores baseados em vírus, devido à sua alta eficiência. No entanto, ainda existem alguns problemas de segurança, como a mutagênese insercional ou reações imunes provenientes do uso destes vetores. Além disso, o alto custo relacionado à produção viral, utilizado em ensaios em humanos, também é um desafio significativo a ser superado.

Com base na ideia de que um vetor ideal para terapia genética seria aquele que não está integrado ao genoma do hospedeiro, os sistemas vetoriais não integrantes representam uma alternativa atraente aos vetores virais. Outras vantagens incluem menos imunogenicidade, um aumento da capacidade de transporte genético e métodos de produção em larga escala relativamente mais fáceis.

“A possibilidade de usar vetores não virais, vetores epissomais, para terapia genética representa um dos campos mais interessantes e intrigantes da pesquisa. Certamente continuarão surgindo inovações para gerar sistemas usando vetores não virais, com o potencial de serem ampliados e se tornarem adequados para uso clínico”, conta Figueiredo.

Por essas razões, a pesquisa analisa o cenário emergente de patentes com foco em vetores não virais, com a lógica de que esses vetores são apropriados com a próxima geração a serem explorados em ensaios terapêuticos e clínicos emergentes. O usuário final são os pesquisadores que atuam diretamente no campo da entrega de genes, terapia genética ou outros interessados em modificar geneticamente as células de mamíferos de maneira persistente ou econômica, em relação aos produtos atuais em desenvolvimento no mercado.

“Em colaboração com a Purdue University e University of Patras estamos desenvolvendo vetores não virais que possam ser utilizados em terapia gênica e em breve pretendemos testar estes vetores na terapia com células CAR T. Nosso estudo reforça que a tendência tecnológica é o desenvolvimento de terapias mais seguras por meio de vetores não virais, diz Castro.

“O Brasil, recentemente, inovou nesta área com terapias avançadas para o tratamento do câncer com as células geneticamente modificadas CAR T e agora o nosso Centro se prepara para ingressar no campo das terapias gênicas. O trabalho contribui muito no sentido de apresentar o cenário mundial e permitir escolhas de rotas tecnológicas apropriadas”, afirma Covas, coordenador do CTC-USP.

O estudo corrobora na compreensão de um dos ativos mais importantes da biotecnologia e uma fonte confiável de informações, que é a propriedade intelectual. A análise das informações de patentes para ajudar a determinar onde e como pesquisadores individuais, universidades ou empresas devem fazer investimentos no futuro é fundamental para seus tomadores de decisão.

Melhores opções de vetores para produtos não virais continuam surgindo e os vetores não integrantes parecem estar passando por otimização e refinamento antes de entrar no pipeline para aplicações promissoras de ensaios clínicos ou pré-clínicos.

“Essa inovação pode ajudar os pesquisadores a identificar tecnologias emergentes em suas áreas e propor estudos que estão na fronteira do conhecimento. Além disso, ter uma visão geral das tendências de entrega de genes, ativada pelos métodos descritos em nosso artigo, pode promover um planejamento estratégico por parte de empresas e pesquisadores acadêmicos em relação a quais vetores eles podem optar por investir seus recursos”, afirma Figueiredo.

O artigo completo está disponível no link: https://go.nature.com/3742unH. Mais informações pelos e-mail: ctcusp@gmail.com ou pelo telefone (16) 2101-9350.

Texto: Eduardo Vidal – Revisão: Me. Fernanda Gisele Basso

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Casa da Ciência abre inscrições para orientadores no projeto “Pequeno Cientista”

Estão abertas, até o dia 05 de março, as inscrições para os pesquisadores e pós-graduandos interessados em participar do programa “Pequeno Cientista” da Casa da Ciência. Os orientadores acompanharão grupos de alunos do ensino básico por um projeto de iniciação científica.

Os encontros acontecem todas as quintas-feiras, das 15h30 às 17 horas, no Hemocentro de Ribeirão Preto, durante o 1º semestre deste ano. As atividades começam em março e terminam no início de julho com o Mural, um evento aberto ao público em que os estudantes são avaliados pelos resultados alcançados, nos moldes de um congresso científico.

A parceria é essencial para que as ações da Casa tenham sucesso neste 20º ano de existência. A proximidade entre o pesquisador e aluno faz toda a diferença.

O “Pequeno Cientista” é uma oportunidade de formação inicial ou continuada para pós-graduandos e demais pesquisadores nas práticas de orientação, docência, pesquisa e divulgação científica, tudo de maneira indissociável do compromisso social da Universidade (extensão).

De acordo com o interesse dos participantes, existe a possibilidade da produção de artigos científicos ou resultados para serem apresentados em congressos, além da iniciativa gerar certificado reconhecido em processos seletivos de agências de fomento, programas de pós-graduação e avaliações CAPES.

Os interessados devem conversar com a equipe pelo e-mail contato@casadaciencia.com.br ou pelo telefone (16) 2101-9308. Visite também o site www.casadaciencia.com.br.

 

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Seja um doador de medula óssea

O Jaboticabal Shopping realiza no dia 11 de janeiro de 2020 cadastro de doadores de medula óssea, das 12h às 16h.

O transplante de medula óssea é utilizado no tratamento de algumas doenças do sangue, como as leucemias e os linfomas. Nesses casos, há a substituição de uma medula óssea doente por células normais de outra medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma nova medula saudável.

Saiba como é realizado o procedimento:

 

Tire suas dúvidas sobre medula óssea: hemocentro.fmrp.usp.br/canal-do-doador/medula-ossea/

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Inscreva-se para o Mestrado Profissional em Hemoterapia e Biotecnologia

Estão abertas as inscrições para o Mestrado Profissional em Hemoterapia e Biotecnologia, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

As inscrições vão até o dia 31 de maio e devem ser realizadas presencialmente na secretaria do programa (Rua Clóvis Vieira, Casa 27, Campus USP-RP), por procuração ou por correio.

A instituição oferece 14 vagas para as áreas de Biotecnologia, Hemoterapia e Medicina Transfusional.

A seleção é composta por prova dissertativa, análise curricular e análise do projeto de pesquisa proposto.

O Mestrado Profissional capacita trabalhadores da área para participar do desenvolvimento e promoção da saúde no Brasil. No programa, são contempladas disciplinas básicas e aplicadas, de caráter multidisciplinar, com uma visão integrada do uso da Hemoterapia e Biotecnologia, além da evolução na área.

As informações sobre os horários e os locais do processo seletivo podem ser consultadas no site ceduc.fmrp.usp.br.

Mais informações pelo e-mail secretariaceduc@hemocentro.fmrp.usp.br ou pelos telefones (16) 3315-4603 e (16) 2101-9303.

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Participe do 30º Mural da Casa da Ciência!

Casa da Ciência realiza o “30º Mural” no dia 05/12, às 14h30, no Hemocentro de Ribeirão Preto.

A iniciativa encerra as atividades presenciais dos dois principais programas da instituição, o Adote um Cientista e o Pequeno Cientista.

Na reunião serão apresentados os avanços obtidos ao longo dos encontros semanais, entre alunos da rede básica de ensino e seus orientadores pós-graduandos, pesquisadores e docentes da USP.

Neste semestre foram 21 grupos que abordaram diversos temas ligados a biologia, química, matemática, odontologia, educação, dentre outros

O Mural é aberto a todos e funciona nos moldes de um congresso científico, onde os estudantes trocam conhecimentos entre si, apresentam os trabalhos para o público em geral e são avaliados por pesquisadores convidados.

O Hemocentro RP está localizado próximo ao Campus da USP, na Rua Tenente Catão Roxo, 2501.

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CTC recebe pesquisadores internacionais para reuniões sobre Anemia Falciforme e Células CAR T

O CTC e o Hemocentro de Ribeirão Preto receberam nesta segunda-feira, 11/11, as importantes visitas de pesquisadores internacionais que atuam nos estudos sobre a Anemia Falciforme e as Células CAR T.
 
A pesquisadora Simone Kashima e equipe realizaram uma reunião focada na pesquisa básica sobre a Anemia Falciforme com o Dr. Wassim El Nemer, pesquisador do Institut National de la Transfusion Sanguine (INTS), ligado a Université Paris Diderot – Paris 7, da França, e o Dr. Mohandas Narla, pesquisador chefe do Laboratory of Red Cell Physiology do New York Blood Center, dos Estados Unidos.
 
 
Já o Dr. Renato Cunha e equipe apresentaram a infraestrutura e as pesquisas realizadas no CTC, com Células CAR T, para o pesquisador Hiroshi Shiku, professor da Mie University Graduate School of Medicine e presidente do Center for Comprehensive Cancer Immunotherapy, do Japão, que estava acompanhado pelo assessor Lev Tsyrenov.
 
 
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Pesquisa conduzida no CTC-USP evidencia molécula com potencial para tratar o câncer de ovário

Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP

Uma molécula com potencial para combater o câncer de ovário e bloquear o processo de metástase das células tumorais foi descrita por pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos na revista Cancer Research.

Conhecida como miR-450a, a pequena molécula de RNA geralmente é pouco expressa em tumores. Porém, testes in vitro e em camundongos mostraram que, quando superexpressa, pode ter efeitos positivos no tratamento da doença ao silenciar a expressão de genes envolvidos na migração celular e no metabolismo energético do tumor.

O estudo foi realizado no Centro de Terapia Celular (CTC), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP na Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto. Contou com a colaboração de Markus Hafner, professor do Laboratory of Muscle Stem Cells and Gene Regulation, do National Institutes of Health (NIH), nos Estados Unidos.

“Trata-se de uma molécula promissora. Podemos desenvolver, no futuro, com uso de nanotecnologia, estratégias terapêuticas contra o câncer de ovário”, disse  Wilson Araújo da Silva Junior, pesquisador do CTC e coordenador do estudo.

Por ser inicialmente assintomático, o câncer de ovário tende a ser detectado já em estágio avançado. Atualmente, a principal arma no tratamento é a cirurgia. “A miR-450a, associada ou não à quimioterapia, pode contribuir como terapia neoadjuvante [tratamento pré-cirúrgico], aumentando taxas de resposta pré-operatórias. Já em casos mais avançados, é possível que diminua o risco de progressão ou de morte pela doença, com efeitos colaterais possivelmente menores que os da quimioterapia. Outro ponto interessante da molécula é a capacidade de bloquear o processo de metástase”, disse Silva Junior à Agência FAPESP.

Confira a reportagem completa no site da Agência Fapesp: http://agencia.fapesp.br/descoberta-molecula-com-potencial-para-tratar-o-cancer-de-ovario/31765/

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Células do próprio paciente são usadas em tratamento inovador contra o câncer

Karina Toledo  |  Agência FAPESP

Um tratamento inovador contra o câncer, feito com células reprogramadas do próprio paciente, foi testado pela primeira vez na América Latina por pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC) da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP.

Conhecida como terapia de células CAR-T, a técnica foi usada para tratar um caso avançado de linfoma difuso de grandes células B – o tipo mais comum de linfoma não Hodgkin, doença que afeta as células do sistema linfático. O paciente, de 63 anos, já havia sido submetido sem sucesso a várias linhas diferentes de quimioterapia desde 2017.

“A expectativa de sobrevida desse paciente era menor que um ano. Para casos como esse, no Brasil, normalmente restam apenas os cuidados paliativos. Contudo, menos de um mês após a infusão das células CAR-T observamos melhora clínica evidente e até conseguimos eliminar os remédios para dor”, contou Renato Cunha, pesquisador associado ao CTC e coordenador do Serviço de Transplante de Medula Óssea e Terapia Celular do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP-USP).

A terapia de células CAR-T (acrônimo em inglês para receptor de antígeno quimérico) foi inicialmente desenvolvida nos Estados Unidos, onde é oferecida por dois laboratórios farmacêuticos a um custo de US$ 400 mil – sem considerar os gastos com internação. Já a metodologia desenvolvida no CTC tem custo aproximado de R$ 150 mil, que pode se tornar ainda mais baixo se o tratamento passar a ser oferecido em larga escala.

“Trata-se de uma tecnologia muito recente e de uma conquista que coloca o Brasil em igualdade com países desenvolvidos. É um trabalho de grande importância social e econômica para o país”, afirmou Dimas Tadeu Covas, coordenador do CTC e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Células-Tronco e Terapia Celular, apoiado pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O primeiro paciente foi atendido pela equipe do CTC e do Hemocentro do HC-FMRP-USP na modalidade de tratamento compassivo, que permite o uso de terapias ainda não aprovadas no país em casos graves sem outra opção disponível. O grupo pretende agora iniciar um protocolo de pesquisa com um número maior de voluntários. “Já temos outros dois pacientes com linfomas de alto grau em vias de receber a infusão de células reprogramadas”, contou Cunha.

Como funciona

A partir de amostras de sangue dos pacientes a serem tratados, os pesquisadores isolam um tipo de leucócito conhecido como linfócito T, um dos principais responsáveis pela defesa do organismo graças à sua capacidade de reconhecer antígenos existentes na superfície celular de patógenos ou de tumores e desencadear a produção de anticorpos.

Com auxílio de um vetor viral (um vírus cujo material genético é alterado em laboratório), um novo gene é introduzido no núcleo do linfócito T, que então passa a expressar em sua superfície um receptor (uma proteína) capaz de reconhecer o antígeno específico do tumor a ser combatido.

“Ele é chamado de receptor quimérico porque é misto. Parte de um receptor que já existe no linfócito é conectada a um receptor novo, que é parte de um anticorpo capaz de reconhecer o antígeno CD19 [antiCD-19]. Com essa modificação, os linfócitos T são redirecionados para reconhecer e atacar as células tumorais”, explicou Cunha.

Os leucócitos reprogramados são “expandidos” em laboratório (colocados em meio de cultura para que se proliferem) e depois infundidos no paciente. Antes do tratamento, uma leve quimioterapia é administrada para preparar o organismo.

“Cerca de 24 horas após a infusão das células CAR-T tem início uma reação inflamatória, sinal de que os linfócitos modificados estão se reproduzindo e induzindo a liberação de substâncias pró-inflamatórias para eliminar o tumor. Além de febre, pode haver queda acentuada da pressão arterial [choque inflamatório] e necessidade de internação em Unidade de Terapia Intensiva [UTI]. O médico deve ter experiência com a técnica e monitorar o paciente continuamente”, disse.

O aposentado submetido ao protocolo no HC da FMRP-USP no dia 9 de setembro já superou a fase crítica do tratamento, conseguiu se livrar da morfina – antes usada em dose máxima – e não apresenta mais linfonodos aumentados no pescoço.

“Além desses sinais clínicos de melhora, conseguimos detectar as células CAR-T em seu sangue e essa é a maior prova de que a metodologia funcionou”, disse Cunha.

De acordo com o pesquisador, somente após três meses será possível avaliar com mais clareza se a resposta à terapia foi total ou parcial – algo que depende do perfil biológico do tumor. Os linfócitos reprogramados podem permanecer no organismo pelo resto da vida, mas também podem desaparecer após alguns anos. 

Versão brasileira

O projeto que possibilitou a produção das células CAR-T teve início há cerca de quatro anos, quando foi renovado o apoio da FAPESP ao CTC. Nesse período, foram conduzidos estudos fundamentais sobre as construções virais mais usadas para a modificação gênica, bem como estabelecidos modelos animais para os estudos pré-clínicos. Cerca de 20 pesquisadores, incluindo médicos e biólogos celulares e moleculares, além de engenheiros especializados em cultivo celular em larga escala, participam do projeto.

Mais recentemente, Cunha se incorporou ao time com a experiência clínica e laboratorial adquirida durante estágio realizado no National Cancer Institute, centro ligado aos National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos e pioneiro na técnica. Em dezembro de 2018, o pesquisador recebeu da Associação Americana de Hematologia (ASH, na sigla em inglês) o ASH Research Award e uma bolsa de US$ 150 mil para contribuir com o desenvolvimento da técnica na FMRP-USP. O projeto, no seu conjunto, teve apoio financeiro, além da FAPESP e do CNPq, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep), da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e do Ministério da Saúde.

“A metodologia que desenvolvemos é específica para o tratamento de linfoma, mas a mesma lógica pode ser usada para qualquer tipo de câncer. Estamos trabalhando em protocolos para o tratamento de leucemia mieloide aguda e para mieloma múltiplo. Também estamos acertando uma parceria com uma universidade japonesa com foco em tumores sólidos, como o de pâncreas”, contou Rodrigo Calado, professor da FMRP-USP e membro do CTC.

O objetivo do grupo, segundo Calado, é desenvolver tratamentos de custo acessível a países de renda média e baixa e possíveis de serem incluídos no rol de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS).

“O custo da terapia de células CAR-T é muito próximo do valor que o SUS repassa para um transplante de medula óssea – hoje em torno de R$ 110 mil. Então o tratamento pode ser considerado acessível”, disse Calado.

Covas lembrou que o CTC tem tradição em terapias pioneiras, entre elas a aplicação de células mesenquimais para tratamento de diabetes e o transplante de medula óssea em portadores de anemia falciforme.

“Só conseguimos desenvolver o protocolo CAR-T de modo relativamente rápido porque temos uma estrutura há muito tempo em construção. Esse investimento da FAPESP em ciência básica, em formação de pessoas e em infraestrutura de pesquisa agora se traduz em novos tratamentos mais eficazes contra o câncer”, disse o coordenador do CTC.

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Participe do “XX Curso de Verão: Genoma, Proteoma e o Universo Celular”

Estão abertas as inscrições para o “XX Curso de Verão: Genoma, Proteoma e o Universo Celular”, do Centro de Terapia Celular da USP.

O evento será realizado de 3 a 14 de fevereiro de 2020, no Hemocentro de Ribeirão Preto.

O objetivo do ciclo de encontros é oferecer aos alunos das áreas de Biologia, Saúde e Engenharia Química, a oportunidade de conhecer as diversas linhas de pesquisa do CTC, um dos 17 Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão apoiados pela FAPESP.

As inscrições seguem até o dia 18 de outubro e devem ser feitas no site www.hemocentro.fmrp.usp.br/cursodeverao/.

A programação completa e outras informações também podem ser acessadas no site.

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Pesquisas realizadas no CTC são destaque na série EPTV 40 anos

As pesquisas realizadas no Centro de Terapia Celular da USP, voltadas ao tratamento do câncer, são destaque na série de reportagens especiais dos 40 anos da EPTV.

Confira o vídeo completo no link abaixo. O tema “E a cura do Câncer?” é abordado a partir dos 12 minutos e 30 segundos.

https://glo.bo/2mxEmYZ

“Desenvolver pesquisas e tratamentos voltados à saúde da população”, este é o objetivo do CTC. Os resultados deste empenho e dedicação são estudos para a produção de terapias mais eficientes usando tecnologia brasileira. O CTC promove pesquisa de ponta em benefício do cidadão.

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