Dúvidas e perguntas

Diariamente muitas pessoas sofrem acidentes ou estão internadas por diferentes doenças e necessitam de transfusões sanguíneas. O sangue humano é fracionado nos seus componentes ou é processado industrialmente nos seus diversos derivados e serve a vários pacientes. Em muitas situações ele é imprescindível, não podendo ser substituído por outro produto. É um produto que não pode ser comprado e, portanto, depende da solidariedade das pessoas. Além disso, o sangue humano tem tipos diferentes e os hemocomponentes têm validade definida, sendo que num dia podemos tê-los e no outro, não.

Em princípio, podemos dizer que todos podemos nos candidatar a ser doadores de sangue. Entretanto, nossa aceitação depende de uma série de fatores que levam em conta o risco que aquela doação pode representar para a saúde do próprio candidato e para a saúde do indivíduo que vier a receber o sangue doado.

Depois da doação, o candidato é observado no próprio serviço por algum tempo, recebe orientações para que evite esforços físicos naquele dia, para que se alimente bem, especialmente ingerindo líquidos, recebe um lanche e é liberado. Ele é ainda orientado para retornar em alguns dias para buscar os resultados dos exames que foram realizados. Além disso, ele é orientado a comunicar ao serviço de hemoterapia onde doou sangue, qualquer manifestação sugestiva de infecção (febre, diarreia, dor de cabeça, dor no corpo, mal-estar, dor de garganta, tosse, manifestações respiratórias, entre outras) que apresente nos 14 dias que sucedem a doação de sangue.

O intervalo para doação de sangue convencional para homens é 60 dias e para mulheres é 90 dias. Entretanto, recomenda-se que o homem doe até 4 vezes por ano e a mulher até 3 vezes por ano.

O sangue doado, juntamente com as amostras colhidas para exame são encaminhados aos laboratórios. A bolsa de sangue coletada será fracionada nos hemocomponentes que ficarão em quarentena aguardando os exames que serão realizados para as seguintes doenças: HIV, Hepatite B e Hepatite C, HTLV 1/2, Chagas e Sífilis.

Quando se realiza a triagem clínica para definir quem pode ou não pode doar sangue, sempre se leva em conta ambos os envolvidos, que são o doador de sangue e o receptor de transfusão. Desta forma, não devem doar sangue todas aquelas pessoas que possam apresentar alguma consequência da doação para sua saúde como por exemplo: pessoas anêmicas, pessoas com doenças cardíacas, pessoas com peso inferior a 50 Kg, mulheres grávidas ou lactantes. Também estão impedidas de doar sangue, todas as pessoas cujo sangue possa oferecer risco ao receptor, como por exemplo, pessoas expostas a risco acrescido de terem doenças passíveis de transmissão sanguínea como hepatites, AIDS, sífilis (que possuam parceiros múltiplos, usuários de drogas endovenosas, assim como seus parceiros sexuais, entre outras), pessoas em uso de medicamentos que possam provocar danos em fetos de mulheres grávidas como Isotretinoína (medicamento para acne), Etretinate e Acitretina (medicamento para psoríase), Finasterida (medicamento para doença de próstata ou para calvície) e Dutasterida (medicamento usado para doença de próstata) assim como qualquer pessoa que não esteja em sua perfeita condição de saúde. Todos os candidatos passarão por uma triagem clínica antes da doação para ser avaliada a sua condição de saúde atual e anterior.

Sim, doar sangue é seguro. Não existe nenhum risco de contrair uma doença infecciosa doando sangue. Entretanto, existe um pequeno risco de que o doador possa sentir algum mal-estar durante ou logo após a doação, especialmente nas primeiras vezes que ele doa, porém, os serviços se preocupam com isto e observam e cuidam para que os doadores nada sintam ou se sentirem, para que sejam bem assistidos.

O processo de doação de sangue engloba as seguintes etapas:

a) Recepção e cadastro de informações sobre o doador, como endereço, telefone, etc: duração média de até 2 minutos;

b) Orientações preliminares sobre a doação de sangue, leitura de folheto informativo e esclarecimento de eventuais dúvidas: duração média de até 15 minutos;

c) Pré-triagem (verificação da pressão arterial, do pulso, da temperatura corporal, do peso e da altura do doador e realização teste para verificar se o mesmo não tem anemia): duração média de até 10 minutos;

d) Triagem clínica (ocasião em que o doador responde algumas perguntas sobre a sua saúde atual, pregressa e sobre os seus hábitos de vida com o objetivo de verificar se a doação poderá trazer algum prejuízo para ele ou para quem irá receber o seu sangue como tratamento). Na triagem clínica o doador também assina um termo de consentimento informado autorizando a doação e garantindo que disse a verdade durante a entrevista: duração média de até 15 minutos;

e) Coleta do sangue (ocasião em que o doador doa cerca de 450 mL de sangue e mais uns 25 mL para os exames): duração média de até 26 minutos, sendo que o tempo que a agulha fica no braço do doador varia entre 5 e 15 minutos;

f) Autoexclusão confidencial (recurso que o doador pode utilizar para solicitar anonimamente que sejam feitos os exames, mas que o sangue doado não seja utilizado no tratamento das pessoas. Deve ser utilizado quando o doador, por motivos pessoais, omite ou se esquece de contar alguma informação durante a entrevista): duração média de 2 minutos;

g) Lanche: 10 a 15 minutos.

Não, o sangue doado não é cobrado. No entanto, existe um custo para que o sangue obtido do doador esteja em condições de uso no paciente. Ele precisa ser colhido, (ex.: material descartável, recursos humanos), fracionado em seus componentes (ex.: insumos e equipamentos específicos, recursos humanos), testado por meio de diversos exames (ex.: insumos e equipamentos específicos, recursos humanos), armazenado (ex.: custos da cadeia do frio), distribuído e compatibilizado por meio de testes laboratoriais para cada paciente que dele necessita. Nos serviços públicos de saúde, estes custos são cobertos pelo SUS.

Sim, a cada doação são feitos teste para hepatites B e C, doença de Chagas, sífilis, HTLV 1/2 e HIV.

O sangue é processado assim que colhido, a depender dos hemocomponentes que serão preparados, preferencialmente em até 6 horas após a doação.

A validade dos hemocomponentes varia conforme o hemocomponente e conforme a solução anticoagulante/preservante em que ele foi coletado. Os hemocomponentes atualmente produzidos no Centro Regional de Hemoterapia do HC – FMRP-USP / Hemocentro de Ribeirão Preto são conservados em soluções anticoagulantes e preservantes que permitem a seguinte validade: concentrado de hemácias: 35 ou 42 dias; concentrado de plaquetas: 5 dias; plasma fresco congelado e crioprecipitado: 12 a 24 meses, a depender da temperatura de armazenamento. Usualmente, apenas o plasma fresco e o crioprecipitado são congelados. Alguns hemocentros congelam também concentrados de hemácias que possuem um fenótipo (tipo sanguíneo) raro.

Os glóbulos vermelhos (concentrado de hemácias) são armazenados em geladeira entre 2 e 6º C, as plaquetas em temperatura entre 20 e 24º C e o plasma em congeladores a 18º C negativos (abaixo de zero) ou menos.

Os glóbulos vermelhos, quando conservados em glicerol, podem ser congelados por até 10 anos.

A doação autóloga é quando o sangue da pessoa é reservado para ela mesma. Isso pode ser feito por meio de doação pré-depósito ou por intermédio de procedimentos antes e durante a cirurgia (hemodiluição normovolêmica ou recuperação intraoperatória) ou após a cirurgia (recuperação pós-operatória). Os critérios de inclusão no programa de doação autóloga pré-depósito são simples: hematócrito superior a 33%; ausência de foco infeccioso e de comorbidades (doenças) graves, como cardiopatias e pneumopatias. O candidato ao procedimento deverá comparecer ao hemocentro para avaliação com um pedido do seu médico contendo as seguintes informações: a) previsão de uso de hemocomponentes (ex. duas bolsas de concentrado de hemácias); b) data da cirurgia; c) qual a cirurgia programada (ex: prótese total do quadril, histerectomia); d) diagnóstico da doença; e) descrição sumária do quadro clínico. O intervalo mínimo entre as doações é de 7 dias e a cirurgia poderá ser realizada após 72 horas da coleta da última bolsa.

Porque 01 (um dia) é suficiente para o doador descansar e recuperar o volume sanguíneo doado sendo particularmente importante para aqueles que exercem profissões que exigem esforço físico ou que possam comprometer a sua segurança pessoal ou de outras pessoas (ex: motorista).

O volume líquido é recuperado em cerca de um dia. Os glóbulos vermelhos se recuperam de 2 a 4 semanas após a doação. Os estoques de ferro em cerca de 60 dias nos homens e de 90 dias nas mulheres em idade fértil.

Devido à recuperação dos estoques de ferro, que nas mulheres é mais demorada em razão das perdas que elas têm durante os ciclos menstruais.

A doação de plaquetas por aférese poderá ocorrer após 8 semanas da doação de sangue, para os homens e 12 semanas para as mulheres. O intervalo mínimo entre duas doações de plaquetas no Hemocentro de Ribeirão Preto é de 7 dias. Não há prejuízos em doar plaquetas por tempo indefinido, porém o máximo de doações permitidas (bolsa simples) é de 1x/sem, 4x/mês e 24x/ano, devido à perda plasmática que ocorre neste tipo de doação. No caso de doações de bolsas duplas, estes intervalos devem ser duplicados. As plaquetas quando doadas são conservadas no próprio plasma do doador.

Sim, todo o material usado para a coleta de sangue é individual, descartável, apirogênico (não causa febre) e estéril.

Sim, tanto entre as doações quanto entre a realização dos testes de anemia sempre haverá troca de luvas antes de cada nova punção.

O doador deverá ter idade entre 18 anos completos e 69 anos sendo que:

  • Podem ser aceitos candidatos à doação de sangue com idade de 16 e 17 anos, com consentimento formal do responsável legal;
  • Os resultados de testes laboratoriais serão entregues somente para o doador;
  • No dia da doação é necessária a presença do responsável legal pelo doador com documento oficial com foto que receberá todas as orientações sobre a doação do menor.

O doador deverá ter idade entre 16 anos completos e 69 anos 11 meses e 29 dias. Em casos de necessidades tecnicamente justificáveis, o candidato cuja idade seja inferior a 16 anos ou igual ou superior a 70 anos será aceito para fins de doação após análise pelo médico do serviço de hemoterapia, com avaliação dos riscos e benefícios e apresentação de relatório que justifique a necessidade da doação, registrando-a na ficha do doador. O limite para a primeira doação será de 60 (sessenta) anos, 11 (onze) meses e 29 (vinte e nove) dias.

O volume a ser doado é proporcional ao peso do doador. Para homens é de 9 mL/kg e para mulheres, 8 mL/kg. O anticoagulante presente na bolsa de doação mistura-se ao sangue impedindo que esse coagule. O volume de anticoagulante da bolsa (63 mL) é padronizado para um mínimo de 400 mL de sangue, logo uma pessoa com peso menor que 50 quilos não poderia doar o volume mínimo, pois sobraria anticoagulante livre o que é indesejável (pode lesar os glóbulos vermelhos). Não se recomenda violar a bolsa para retirar anticoagulante sob o risco de contaminação bacteriana. Este procedimento só deverá ser feito em circunstâncias especiais em que os benefícios superem os riscos, como, por exemplo, na doação autóloga (quando o doador doa seu sangue para uso nele mesmo geralmente durante uma cirurgia programada).

Devido a quantidade de anticoagulante presente na bolsa que é padronizada para este volume.

Aconselha-se a não doar durante a gravidez e a amamentação da criança até 1 ano de idade, a não ser em circunstâncias especiais. Após a criança ter completado 1 ano de idade, a amamentação deixa de ser a sua principal fonte de alimentação e a mãe fica liberada para doar sangue.

Em geral não, pois os componentes, na maioria das vezes, são a base de antidistônicos, laxantes e diuréticos. Mas em alguns casos, contêm substâncias como as anfetaminas (ex: femproporex, anfepramona) e a sibutramina que podem acarretar efeitos adversos como a irritabilidade, o nervosismo e a taquicardia (aumento da frequência dos batimentos cardíacos), dentre outros. Por isso, recomenda-se doar sangue 7 dias após a interrupção do medicamento para que o doador esteja sem os efeitos colaterais dessas substâncias.

Geralmente não, entretanto são inaptos para doação de sangue por 48 horas, candidatos que estejam tomando anti-hipertensivos de ação central, (ex.: Metildopa, Clonidina, Reserpina), ou betabloqueadores (ex.: Propranolol, Atenolol, Oxprenolol ou similares), ou bloqueadores alfa-adrenérgicos (ex.: Prazosin) e são inaptos por 5 dias aqueles que estejam em uso de vasodilatadores (ex.: Hidralazina, Minoxidil).

Não impedem a doação os diuréticos (ex.: Hidroclorotiazida, Clorana), antagonistas da angiotensina II (ex: Losartana), os bloqueadores de canais de cálcio (ex: Nifedipina) e os inibidores da enzima conversora de angiotensina (Captopril, Enalapril ou similares), entretanto, o uso destes últimos contraindica a doação por aférese.

  • A vacinação que leva o indivíduo a ficar mais tempo sem doar é a da raiva, recebida em razão de mordida animal (1 ano).
  • Vacinas fabricadas de vírus ou bactérias atenuados, como a do Sarampo; Rubéola; Catapora (Varicela), Pólio Oral (Sabin); Febre Tifóide Oral; Caxumba (Parotidite); Febre amarela, Rotavírus e BCG necessitam de 4 semanas de intervalo para a doação.
  • Aquelas provenientes de vírus ou bactérias inativadas (mortas) como a do Tétano; Cólera; Pólio (Salk); Difteria; Febre Tifóide e Paratifóide (injetável); Meningite; Coqueluche; Hepatite A; Peste, Pneumococo; Leptospirose; Brucelose; Haemophillus influenzae tipo B; Antraz; Doença de Lyme; Influenza; HPV; exigem um período mínimo de 48 horas para doar desde que o candidato esteja assintomático e afebril.
  • Hepatite B recombinante exige um intervalo mínimo de 7 dias.

Não, mas é necessário aguardar 4 semanas após ter recebido a vacina para doar o sangue.

Não, a vacina que é confundida com a da malária é a anti-amarílica, que garante imunidade contra a febre amarela.

O que é dito vacina anti-Rh não se constituí em vacina e sim soro hiperimune, pois vacinas são agentes vivos ou atenuados que, quando aplicados, levarão o organismo a produzir anticorpos e soros hiperimunes são os anticorpos já prontos para o uso. Por ser derivado de seres humanos o soro anti-Rh (Rhogan®) impede a doação por 1 ano.

Este intervalo depende de qual foi a doença e do tempo que a pessoa levou para se recuperar. Para infecções comuns, causadas por bactérias e não complicadas, como a amigdalite (infecção nas amígdalas – “garganta”), otite (infecção nos ouvidos), sinusite, pneumonias, etc, aguardar pelo menos 15 dias após a cura (término do tratamento). Para gripes, resfriados comuns com febre, infecção urinária sem comprometimento do rim, o intervalo mínimo para doação de sangue é de 15 dias após a cura. Em caso de conjuntivite a doação pode acontecer após intervalo de uma semana.

Sim, mas quem teve dengue clássica deve aguardar 1 mês após a cura para doar. Se a pessoa tiver tido dengue hemorrágica, este período estende-se para 6 meses.

Há vários tipos de hepatites virais. A chamada hepatite tipo A é de por contato fecal-oral e se dá por contaminação de águas e alimentos. A hepatite tipo B é por contaminação sexual e parenteral, ou seja, agulhas e equipamentos contendo sangue contaminado ou de mãe para o feto. A hepatite tipo C é de contaminação predominantemente parenteral (ex: contato com o sangue de outra pessoa), porém outras vias podem estar envolvidas, como a sexual e da mãe para o feto. A hepatite tipo E pode ser adquirida por meio de água e alimentos contaminados, carne mal cozida (porco) e por via parenteral (contato com sangue de outra pessoa). A hepatite D é mais rara e só ocorre em pessoa que também seja portadora de hepatite B. A icterícia (cor amarelada da esclerótica ou “branco dos olhos”), sintoma mais evidente das hepatites, é mais comum na hepatite A, mas nem todos os pacientes a apresentam. Na hepatite tipo B, ocorre em 10 a 25% dos casos e na hepatite tipo C em cerca de 5% dos casos. Os demais sintomas são pouco específicos e lembram um quadro de gripe forte.

A hepatite A. Encontramos anticorpos contra a hepatite A, que são indicativos de contato prévio por este agente, em cerca de 85% da população brasileira.

Porque antes dos 11 anos de idade a probabilidade de que o candidato tenha tido hepatite do tipo A é de quase 100%, fato este já confirmado em estudos epidemiológicos. Como a hepatite A não deixa partículas virais ou vírus circulantes após a cura, não há contraindicação em doar sangue.

Se residiu não poderá doar por 3 anos, se visitou, mesmo que por poucos dias, deverá aguardar 12 meses.

Não existe teste sensível, específico e de fácil execução para identificar o candidato infectado pela malária. O indivíduo pode estar infectado e não ter os sintomas. Há alguns anos, houve um fato amplamente divulgado na imprensa referente a esta questão. Um avião fez escala em região onde havia malária e três passageiros que nem sequer desceram do avião foram infectados por um mosquito que adentrou na aeronave. Já imaginou se eles tivessem doado sangue?

Acupuntura: liberar após 6 meses, desde que o material utilizado seja descartável. Caso contrário, aguardar 12 meses.

Para piercing e maquiagem definitiva: liberar 6 meses após a realização se todo o material utilizado era descartável (viu abrir) e o procedimento foi realizado em condições adequadas de antissepsia, caso contrário, rejeitar por 12 meses após a data da realização.Se o piercing estiver na cavidade oral ou região genital poderá doar sangue após 12 meses da retirada.

Tatuagem: liberar após 6 meses se todo o material utilizado era descartável (viu abrir) e o procedimento foi realizado em condições adequadas de antissepsia e se a clínica na qual foi realizada a tatuagem tiver alvará sanitário vigente comprovado por declaração contendo seu nome completo do cliente, data da realização do procedimento, número do alvará sanitário do estabelecimento e assinatura do profissional responsável pela clínica. Caso contrário, rejeitar por 12 meses após a data da realização.

Conteúdo da sanfona

Este prazo depende do tamanho (porte) da cirurgia e do tempo necessário para a recuperação do doador. Quando a pessoa se recupera bem, deve aguardar 1 ano para cirurgias como as do politrauma, ressecção de aneurismas, cirurgias neurológicas, nefrectomia e cirurgias em que há necessidade da abertura da cavidade abdominal (colectomia, esplenectomia pós-traumática). Para cirurgias de grande porte como a artrodese de coluna, a colecistectomia (retirada da vesícula), a histerectomia (retirada do útero), a laminectomia (hérnia de disco), a tireoidectomia, retirada de algum nódulo de mama, procedimentos endoscópicos inclusive cirurgia por videolaparoscopia, dentre outras, deve-se aguardar 6 meses. Para cirurgias de médio e pequeno porte como a amigdalectomia (retirada das amígdalas), a apendicectomia (retirada do apêndice), cirurgias de hemorroidas, de hérnias, varizes, cirurgia plástica sob anestesia local, deve-se aguardar 3 meses. Pessoas que fizeram cirurgias cardíacas, que retiraram o baço (exceto quando este foi retirado devido a algum acidente), um “pedaço” do pulmão ou do estômago, não podem mais doar sangue, independentemente do tempo transcorrido desde a cirurgia.

Os diabéticos dependentes da insulina são os que não podem doar sangue, porque têm maior probabilidade de apresentar alterações do sistema cardiovascular que podem levar a complicações durante a doação de sangue.

Não há restrições em doar caso o candidato tenha apresentado desmaios na infância. Pessoa que tenha antecedente de epilepsia e convulsões pode doar sangue três anos após a suspensão do medicamento por seu médico assistente, desde que não mais tenham apresentado crises.

São liberados para doação de sangue as pessoas que apresentem hipotireoidismo controlado (mesmo com medicação), estejam bem e que não apresentem comprometimento de outros órgãos. O hipertireoidismo contraindica a doação de sangue pelo risco de reações adversas à doação.

Não, desde que o candidato esteja sem sintomas e não esteja em jejum no dia da doação.

Não pode doar a pessoa que apresentar hematócrito menor que 39% (ou hemoglobina <13g/dL) no homem e 38% (ou hemoglobina < 12,5 g/dL) na mulher. Este limite é necessário para não causar prejuízos à saúde do doador e permitir a coleta da quantidade de sangue estipulada como uma unidade (dose) para um adulto.

É necessário que tanto a pessoa que recebeu sangue quanto o seu parceiro sexual aguardem, pelo menos, um ano após a data da última transfusão para doarem sangue.

Após a doação há uma diminuição do volume sanguíneo circulante. O álcool é um agente desidratante, portanto, mais líquidos sairão da circulação sanguínea. Essa pessoa poderá apresentar reações decorrentes de uma diminuição da parte líquida do sangue, caracterizado por fraqueza, queda de pressão, tonturas, secura na boca e, em alguns casos, desmaios.

Se for a única droga consumida, a doação de sangue é permitida desde que o candidato não esteja sob o efeito da mesma. O uso de maconha impede a doação por 12 (doze) horas.

Não há qualquer contraindicação devido a doação.

É o período de tempo compreendido entre a exposição ao agente infeccioso e o aparecimento de positividade em exame laboratorial específico para detecção do mesmo.

A janela imunológica para testes sorológicos decorre de que eles, geralmente detectam os anticorpos formados pela pessoa em resposta ao agente infeccioso. Para o HIV esse período é de 2 a 3 semanas, para o vírus da hepatite C (HCV) é de 72 dias e para o vírus da hepatite B (HBV) é em torno de 54 a 56 dias. Este período varia conforme a sensibilidade dos testes diagnósticos, que têm sido continuamente melhorados. Atualmente os serviços de hemoterapia utilizam, além dos testes sorológicos, os testes moleculares (Nucleic Acid Test-NAT) para detecção do HIV e dos vírus das hepatites B e C no sangue dos doadores. Os testes moleculares pesquisam diretamente as partículas virais, portanto são capazes de detectar essas infecções antes que os testes sorológicos. A janela dos testes NAT HIV, HCV e HBV atuais é, em média, de 10 a 20 dias. Assim, embora bastante curta, é impossível zerar a janela dos testes, mesmo para os teste moleculares. Logicamente, se a doação de sangue ocorrer nestes intervalos citados, pode haver contaminação dos receptores, pois os testes serão negativos, mesmo se o doador estiver infectado pelo vírus. O doador não deve omitir nenhum fato questionado durante a entrevista, pois ele será considerado apto e, se seus testes estiverem negativos, seu sangue será transfundido.

Com os testes sorológicos atuais, a janela imunológica para o HIV é de 2 a 3 semanas. Com a inclusão de testes de biologia molecular (NAT) a janela foi reduzida para em torno de 10 dias.

Na realidade o termo mais adequado seria “comportamento de risco acrescido”, ou seja, o comportamento do indivíduo faria com que ele ficasse mais exposto ao risco de adquirir uma determinada doença ou infecção.

A transmissão da sífilis por transfusão sanguínea é extremamente rara, mas é possível, entretanto, são feitos testes para sua detecção a fim de se evitar que seja transmitida nas transfusões.

Por volta de 2 a 5% do sangue doado não poderá ser aproveitado. As causas mais frequentes de descarte são a presença de anticorpos contra as hepatites B e C. Também são descartadas as bolsas cujo plasma do doador está turvo às custas de gordura no sangue (lipemia) ou que tenha sido colhida uma quantidade muito acima ou muito abaixo da quantidade padronizada para a quantidade de solução anticoagulante preservadora presente na bolsa.

É definida como a deficiência de um determinado fator essencial para ocorrer a coagulação sanguínea. Há dois tipos de hemofilia, a mais comum é a hemofilia A, decorrente da deficiência do fator VIII. O outro tipo é a hemofilia B, decorrente da deficiência do fator IX.

Sim, desde que não sejam anêmicos. Ambas são doenças hereditárias (herdadas dos pais para filhos) envolvendo o sangue (anemia e distúrbio da coagulação, respectivamente).

Os granulócitos (neutrófilos) constituem uma fração importante dos glóbulos brancos (leucócitos) e exercem um papel fundamental na primeira linha de defesa imunitária, especialmente no combate às bactérias e fungos. Recentemente, desenvolveram-se técnicas que permitem obter concentrados de granulócitos, os quais se revelaram úteis em certas circunstâncias clínicas. Os granulócitos são geralmente obtidos do sangue de um único doador por citaferese, que é um método basicamente mecânico que requer o uso de um aparelho de alta tecnologia (máquina de aférese).

As transfusões de granulócitos são usadas em situações específicas associadas a redução intensa do número de neutrófilos no sangue periférico do paciente, febre e infecções documentadas sem resposta ao tratamento antimicrobiano adequado, em que o doente está em alto risco de desenvolver infecções sistêmicas graves. A doação de granulócitos não é uma doação rotineira e também não é uma doação de medula óssea. A medula óssea é um tecido líquido-gelatinoso que ocupa o interior dos ossos, sendo conhecido popularmente por “tutano”. A medula óssea desempenha um papel fundamental no desenvolvimento das células sanguíneas, pois é lá que são produzidos os leucócitos (glóbulos brancos), as hemácias (glóbulos vermelhos) e as plaquetas.

A princípio o candidato apenas realiza um cadastro. O voluntário à doação de medula óssea irá assinar um termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), e preencher uma ficha com informações pessoais. Em seguida, será retirada uma pequena quantidade de seu sangue (5ml) para ser analisada por exame de histocompatibilidade (HLA) a fim de identificar as características genéticas que vão ser cruzadas com as dos pacientes que necessitam de transplantes de medula óssea. Os dados pessoais do doador e a sua tipagem HLA serão incluídos no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME).

Quando houver um paciente com possível compatibilidade com um doador cadastrado, ele será consultado para decidir quanto à doação de medula óssea. Por este motivo, é necessário que doadores cadastrados mantenham seus dados sempre atualizados. Para seguir com o processo de doação serão necessários outros exames para confirmar a compatibilidade e uma avaliação clínica de saúde. Somente após todas estas etapas concluídas o doador poderá ser considerado apto e realizar a doação.

 

Atualizado em 15/10/20