A revista “Blood Global Hematology”, um dos principais periódicos em hematologia do mundo, publicou um artigo que apresenta uma revisão sobre o estado da arte da terapia CAR-T em países em desenvolvimento.
Os autores são o Prof. Dr. Rodrigo Calado, diretor-presidente do Hemocentro de Ribeirão Preto e coordenador do CTC-USP; o Prof. Dr. Diego Villa Clé, coordenador do Núcleo de Terapia Avançada (Nutera RP); e a Dra. Camila Donadel, médica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e pesquisadora do Nutera RP.
A terapia com células CAR-T tem revolucionado o tratamento das neoplasias hematológicas, trazendo melhores resultados para os pacientes. No entanto, o acesso a essa tecnologia ainda é desigual, especialmente em nações com recursos limitados.
Alto custo, desafios regulatórios, logística de produção e infraestrutura clínica insuficiente são alguns dos principais obstáculos. Por outro lado, iniciativas acadêmicas em países como o Brasil mostram que é possível desenvolver modelos de produção mais acessíveis e alinhados aos sistemas públicos de saúde.
Investir em infraestrutura, adaptar normas e descentralizar a produção são caminhos para ampliar o acesso e tornar a terapia CAR-T uma realidade para mais pessoas.
A Revista Pesquisa Fapesp publicou um vídeo sobre a terapia celular CAR-T contra o câncer, produzida no Hemocentro de Ribeirão Preto, em parceria com o Instituto Butantan, no Núcleo de Terapia Avançada (Nutera RP), a “fábrica de células”.
A reportagem traz depoimentos do Prof. Dr. Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP e primeiro coordenador do Centro de Terapia Celular (CTC-USP), onde foram desenvolvidas as células CAR-T com pesquisa 100% nacional, e do Prof. Dr. Rodrigo T. Calado, diretor-presidente do Hemocentro RP, que abordou o Estudo Clínico CARTHEDRALL, atualmente em sua segunda fase em cinco centros de referência no estado de São Paulo.
A iniciativa tem como objetivo tratar 81 pacientes com leucemia linfoide aguda de células B (LLA) ou linfoma não Hodgkin de células B refratários, utilizando as células CAR-T produzidas no Nutera RP. A meta é, futuramente, oferecer esse tratamento de forma gratuita pelo SUS. Mais informações no site: nuterarp.org.
Está aberta a seleção de bolsista para o Programa Institucional de Pós-Doutorado (PIPD/CAPES), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Oncologia Clínica, Células-Tronco e Terapia Celular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP). As inscrições podem ser realizadas até 02/01/2026.
Clique aqui para acessar o edital completo. A bolsa será concedida conforme as normas estabelecidas pela Portaria CAPES vigente.
O PIPD busca a promoção de pesquisas de excelência, fortalecer grupos nacionais, qualificar doutores e incentivar a internacionalização, incluindo oportunidades de estágio pós-doutoral no exterior.
Para concorrer à vaga, o candidato deve ser brasileiro, não possuir vínculo empregatício, ter obtido o título de doutor por curso reconhecido pelo CNE/MEC há, no máximo, sete anos, não acumular bolsas de pós-doutorado com recursos públicos federais e possuir conta corrente individual ativa em banco brasileiro.
Pessoas que se enquadram em políticas afirmativas — como mães pesquisadoras, afrodescendentes e povos originários — receberão pontuação adicional durante a entrevista de avaliação.
O Por dentro da Pesquisa apresenta a palestra “Mecanismos de evasão imune em neoplasias mieloides”, ministrada pela Profa. Dra. Lorena de Figueiredo Pontes, do Departamento de Imagens Médicas, Hematologia e Oncologia Clínica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP).
A pesquisadora, que integra o Programa de Pós-Graduação em Oncologia Clínica, Células-Tronco e Terapia Celular da FMRP-USP, dedica-se ao estudo das bases moleculares e fatores prognósticos das neoplasias mieloides, com foco na regulação da célula-tronco hematopoética e no desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas.
Na apresentação, a docente explorou temas fundamentais para a compreensão da doença, como sua origem e diagnóstico — incluindo mecanismos biológicos, vias de sinalização e critérios classificatórios. Também discutiu os principais desafios clínicos, entre eles a hematopoese anormal, processos inflamatórios, risco de trombose e hemorragia, além da transformação leucêmica. O encontro ainda destacou novos alvos para o controle da mieloproliferação neoplásica.
A série Por dentro da Pesquisa retoma palestras e aulas ministradas por nossos cientistas, que compartilham conceitos e experiências nas áreas de terapia celular, oncologia, genética, bioinformática, hematologia, entre outras. Fique atento às próximas edições! Os vídeos são publicados nas mídias sociais do CTC-USP e no canal do YouTube do Hemocentro de Ribeirão Preto.
Em reportagem publicada pelo Portal G1 Ribeirão, o Prof. Dr. Diego Villa Clé destacou o bom andamento do Estudo Clínico CARTHEDRALL, que utiliza a terapia celular CAR-T produzida no Hemocentro de Ribeirão Preto, em parceria com o Instituto Butantan.
O coordenador do Núcleo de Terapia Avançada de Ribeirão Preto (Nutera RP) e responsável pela iniciativa prevê, para o segundo semestre de 2026, a solicitação do registro da terapia junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No momento, o estudo — que já teve sua segurança comprovada — está em fase de recrutamento de pacientes nos cinco centros parceiros habilitados: Hospital das Clínicas da FMUSP, Beneficência Portuguesa e Sírio-Libanês, em São Paulo (SP); Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (FMRP-USP); e Hospital de Clínicas da Unicamp (Campinas-SP).
A pesquisa, financiada pelo Ministério da Saúde por meio do Programa para o Desenvolvimento do Complexo Industrial da Saúde (PROCIS), visa tratar 81 pessoas com leucemia linfoide aguda de células B (LLA) ou linfoma não Hodgkin de células B refratários. A meta é oferecer futuramente a terapia de forma gratuita no SUS (Sistema Único de Saúde).
Clique aqui e confira a matéria completa. Mais informações sobre o Nutera RP e o Estudo Clínico CARTHEDRALL no site: https://nuterarp.org/
A Quarta edição do Summit Internacional sobre Saúde Pública de Precisão, promovida pelo Programa Nacional de Genômica e Saúde Pública de Precisão – Genomas Brasil, reuniu, em Brasília, especialistas do governo federal, representantes do sistema de saúde, integrantes da comunidade científica e pesquisadores para abordar inovações e avanços na área.
O Prof. Dr. Leandro Colli, coordenador do Laboratório de Oncologia Translacional da FMRP-USP, e o Prof. Dr. Diego Villa Clé, coordenador do Núcleo de Terapia Avançada de Ribeirão Preto (Nutera RP), ambos sediados no Hemocentro de Ribeirão Preto, ministraram palestras nos dias 13 e 14/11, respectivamente.
O Dr. Colli abordou os escores poligênicos aplicados à saúde da população, com foco no desenvolvimento da “prevenção de precisão”, que permite identificar indivíduos que necessitam de rastreamento mais intensivo, impactando positivamente na racionalização dos recursos da saúde pública.
O Dr. Clé apresentou as pesquisas com terapias avançadas voltadas ao SUS para o tratamento do câncer e de doenças autoimunes, além do estudo multicêntrico de fase I/II CARTHEDRALL, que avalia o uso de células CAR-T anti-CD19 produzidas no Nutera RP para o tratamento da leucemia linfoblástica aguda (LLA) e do linfoma não-Hodgkin (LNH) recidivados ou refratários.
Ainda nos dias 11 e 12/11, o Dr. Colli participou da Segunda edição do Fórum Internacional de Pesquisa Clínica (II FIPClin), também em Brasília, integrando a mesa 7 – Governança colaborativa em pesquisa clínica: papéis institucionais e compartilhamento de responsabilidades.
Com a criação do Genomas Brasil pelo Ministério da Saúde, em 2020, o país deu um passo decisivo ao assumir o desafio de lançar as bases para o avanço da saúde de precisão, preparando o caminho para sua futura integração ao SUS. A iniciativa fortalece a projeção internacional da ciência brasileira e consolida o papel do programa como referência.
Por que pacientes com o mesmo diagnóstico reagem de formas diferentes ao mesmo tratamento?
Buscar compreender esse mistério é um dos focos do Laboratório de Multiômica e Oncologia Molecular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), coordenado pela Profa. Dra. Tathiane Malta. O material de estudo do grupo são os dados moleculares em larga escala, analisados por meio da bioinformática.
A pesquisadora, que também é orientadora do Programa de Pós-Graduação em Oncologia Clínica, Células-Tronco e Terapia Celular, ligado ao Hemocentro de Ribeirão Preto e ao CTC-USP, apresenta a palestra “Biologia computacional e ciências ômicas na oncologia”, na série Por dentro da Pesquisa.
O trabalho conduzido pela equipe científica contribui para aprimorar a classificação dos tumores e identificar novos biomarcadores de diagnóstico e terapias personalizadas para o tratamento do câncer, com foco em proporcionar maior qualidade de vida aos pacientes.
Para isso, o grupo explora a genômica funcional, campo da biologia que investiga a função e as interações de genes e proteínas em todo o genoma, e a epigenômica, conjunto de marcas químicas e proteínas que se ligam ao DNA e controlam a expressão gênica (ativando ou silenciando genes), sem alterar a sequência do DNA.
Nesse contexto, a bioinformática é um recurso essencial para a análise de dados em larga escala, integrando matemática, tecnologia computacional e biologia molecular em uma abordagem interdisciplinar.
A palestrante é farmacêutica-bioquímica, com mestrado e doutorado realizados no Laboratório de Biologia Molecular do Hemocentro RP, pós-doutorado pela FMRP-USP e pelo Henry Ford Hospital (EUA). Em 2022, foi uma das vencedoras do prêmio “Para Mulheres na Ciência”, uma iniciativa da L’Oréal Brasil, UNESCO e Academia Brasileira de Ciências.
🎥 A série Por dentro da Pesquisa retoma palestras e aulas ministradas por nossos cientistas, que compartilham conceitos e experiências nas áreas de terapia celular, oncologia, genética, bioinformática, hematologia, entre outras. Fique atento às próximas edições! Os vídeos são publicados nas mídias sociais do CTC-USP e no canal do YouTube do Hemocentro de Ribeirão Preto.
O Hemocentro de Ribeirão Preto recebeu em novembro a visita dos pesquisadores franceses Dr. Robert Seute e Dra. Auria Godard, da Aix-Marseille Université. Os cientistas ministraram duas palestras nos dias 3 e 5/11, às 13 horas, no Anfiteatro Vermelho da instituição.
O primeiro encontro, conduzido pelo Dr. Seute, teve como título “Investigating the role of KCNN4 in human erythropoiesis”. Já a segunda aula, ministrada pela Dra. Godard, abordou o tema “New insights into cellular defects of the erythroid niche in sickle cell disease”.
Os convidados são filiados ao Établissement Français du Sang Prévention Alpes Côte d’Azur-Corse, ao Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), ao Anthropologie Bio-culturelle, Droit, Éthique et Santé (UMR 7268) e ao Globule Rouge Laboratory of Excellence (GR-Ex).
A USP e o Hemocentro de Ribeirão Preto mantêm uma forte cooperação acadêmica com instituições francesas em diversas áreas do conhecimento. As iniciativas envolvem docentes, pesquisadores e alunos de pós-graduação no desenvolvimento de projetos sobre anemia falciforme, transplante de medula óssea e falência hematopoética.
O Hemocentro de Ribeirão Preto agradece a todos que prestigiaram o estande do Nutera RP no HEMO 2025! O público também lotou o auditório para assistir ao simpósio “CAR-T no SUS: da Onco-Hemato às Doenças Autoimunes – A Construção de um Modelo Brasileiro”, realizado no último dia da convenção.
No Estande 78, os visitantes puderam vivenciar um passeio imersivo pela “fábrica de células”, com o auxílio de óculos de realidade virtual de última geração!
O evento de encerramento contou com a moderação do Dr. Phillip Scheinberg e as apresentações do Prof. Dr. Rodrigo T. Calado, diretor-presidente do Hemocentro RP; do Prof. Dr. Diego Villa Clé, coordenador de Biotecnologia e do Nutera RP; e do Dr. Fabian Müller, pesquisador e médico do University Hospital Erlangen, na Alemanha.
O Congresso Brasileiro de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (HEMO 2025), promovido pela ABHH, foi realizado de 29 de outubro a 1º de novembro, em São Paulo.
Um paciente com a doença falciforme que atinge 50 anos de idade pode representar um custo superior a R$ 1,5 milhão ao SUS ao longo da vida, considerando o tratamento convencional. Já o investimento necessário para o transplante de células-tronco hematopoéticas é estimado em cerca de R$ 72 mil, uma alternativa mais acessível, porém limitada pela necessidade de um doador de medula óssea compatível. Nesse cenário, uma nova possibilidade vem ganhando destaque com o avanço das pesquisas e o surgimento de produtos clínicos: a terapia gênica.
No terceiro capítulo da série sobre a doença falciforme, o Por dentro da Pesquisa aborda o tema “Terapia gênica para doença falciforme”, com o Me. Felipe Augusto Rós, doutorando do Laboratório de Investigação Médica em Patogênese e Terapia Dirigida em Onco-Imuno-Hematologia (LIM 31) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), sob coordenação do Prof. Dr. Vanderson Rocha.
Atualmente, três principais estratégias se destacam entre os ensaios clínicos registrados na plataforma internacional clinicalTrials.gov: adição de β-globina terapêutica, indução de hemoglobina fetal (HbF) e correção da mutação da hemoglobina S (HbS). Essas abordagens utilizam três técnicas fundamentais: adição gênica, edição gênica e regulação pós-transcricional (shRNA).
A adição gênica é um dos métodos mais tradicionais. Nela, células-tronco hematopoéticas são coletadas do próprio paciente e modificadas em laboratório, onde genes terapêuticos são inseridos antes das células serem reinfundidas no organismo. Na edição gênica, em vez de adicionar um novo gene, o cientista modifica o DNA da célula utilizando a tecnologia CRISPR-Cas9. Essa técnica usa um RNA-guia para direcionar a enzima Cas9 a um ponto específico do genoma, promovendo um corte que permite aos mecanismos naturais de reparo celular corrigirem o DNA, abrindo caminho para o tratamento de diversas doenças genéticas.
Já a regulação pós-transcricional emprega o Short Hairpin RNA (shRNA), uma molécula artificial usada para silenciar a expressão de genes-alvo por meio da interferência de RNA. No laboratório, essas moléculas são inseridas nas células e, após a infusão no paciente, promovem o aumento da produção de hemoglobina fetal (HbF). Níveis elevados de HbF estão associados a uma forma mais branda da doença e a um melhor prognóstico clínico.
Até o momento, dois produtos de terapia gênica foram aprovados pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, com potencial de cura clínica: o Casgevy e o Lyfgenia. Ambos têm custo estimado em até R$ 17 milhões e estão sujeitos à aprovação da Anvisa para uso no Brasil.
Ainda no primeiro episódio, ressaltamos o impacto que essa doença genética exerce no país e no mundo. O Ministério da Saúde estima que cerca de 100 mil brasileiros convivem com o problema. Os pacientes apresentam alterações nos glóbulos vermelhos (hemácias), que adquirem formato semelhante a uma foice, e convivem com dor, infecções recorrentes, inflamação crônica e desregulação do sistema imunológico.