Moradora de Ribeirão Preto fará festa de aniversário no Hemocentro

Cerca de 40 convidados vão doar sangue e depois comer bolo

Fazer festa de aniversário é comum, mas uma festa para comemorar o aniversário com amigos, amigas e familiares doando sangue no Hemocentro é algo incomum. Aos trinta anos, Josiane Correia Carvalho mudou o rito dos aniversariantes que é o de receber presentes. Ela optou por dar presentes, ou melhor, bolsas de sangue para quem precisa.

A festa normalmente realizada em salões, neste sábado, será feita na sala de coletas do Hemocentro, no campus da USP. “Escolhi fazer o aniversário dessa maneira para poder ajudar quem está precisando. Deus me deu muita vontade de viver e comemorar mais um ano de vida com saúde e isso me despertou o desejo de ajudar quem precisa e doar sangue é uma atitude tão bela, que mostra tanta empatia que resolvi chamar os amigos e familiares para uma festa no Hemocentro”.

Joseani começou a doar aos 18 anos, ainda quando morava, em Vargem Grande. Há quatro anos mora em Ribeirão Preto e o sábado marca dois fatos: além do aniversário no Hemocentro, é a primeira vez que ela doará sangue na Instituição. “Decidi transformar uma reflexão pessoal sobre a chegada de uma nova década em um gesto de solidariedade. Em vez de celebrar a data apenas com uma festa ou presentes, escolhi incentivar a solidariedade dos meus amigos e familiares com a doação de sangue”

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“Minha filha precisou de 10 bolsas de sangue, foi neste momento que percebi a dimensão da importância da doação de sangue”

Treze horas se passaram até que a porta do centro cirúrgico se abrisse. Era 1998, em um hospital de Campinas, e Carlos Renato Buzine esperava notícias da filha Giovanna, então com apenas dois anos. Quando o médico finalmente apareceu, trouxe consigo uma informação que Carlos carregaria para o resto da vida. “O médico explicou a retirada do tumor (meduloblastoma) e disse que foram necessárias 10 bolsas de sangue durante a operação”.

Aquela era apenas a primeira de uma longa sequência de batalhas. Giovanna enfrentaria outras seis.  Para Carlos, porém, algo já havia mudado naquele primeiro encontro com o médico. Até então, sangue era algo que existia nos hospitais, disponível para quem precisasse. Naquele dia, ganhou rostos. Para que sua filha tivesse aquelas dez bolsas, outras pessoas, desconhecidas, haviam estendido o braço antes dela precisar. “Foi neste momento que percebi a dimensão da importância da doação de sangue”.

Carlos voltou para Bebedouro levando mais do que a preocupação com a recuperação da filha. Decidiu que também seria doador. E fez da decisão um hábito. Passou a doar até quatro vezes por ano, em sua cidade ou no Hemocentro de Ribeirão Preto, quando traz a filha que continua em tratamento no HC Criança.

Com o tempo, o gesto deixou de ser apenas de Carlos. A esposa, Andrea, os filhos Jean Carlo, Giovane e os irmãos Nelson e Josiel também se tornaram doadores. “A necessidade da Giovanna em receber 10 bolsas de sangue na primeira cirurgia me fez perceber o tamanho da importância da doação de sangue e, desde então, tenho a doação de sangue como missão. Porque, se não fossem 10 pessoas doarem sangue há 26 anos, a Giovanna não estaria aqui”, conta Carlos. Lorenzo, o filho mais novo deve seguir o exemplo

Hoje, aos 27 anos, Giovanna continua em acompanhamento médico no Hospital das Clínicas. E Carlos continua doando. Quando viaja a Ribeirão Preto para acompanhar os retornos da filha ao HC Ribeirão, procura também reservar um tempo para passar pelo Hemocentro. No cotidiano, costuma vestir camisetas com mensagens de incentivo à doação. É uma forma de lembrar aos outros aquilo que ele aprendeu, há mais de duas décadas, do lado de fora de uma sala de cirurgia: antes de uma bolsa de sangue chegar a um paciente, alguém que talvez nunca conheça aquela pessoa precisou decidir doar.

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“Meu lema é focar no que posso controlar”

A estrada que liga Votuporanga a Ribeirão Preto faz parte da história da família de Driele Helena da Silva, de 33 anos, e de seu irmão, Saul Ezequiel, de 23. Os 286 quilômetros que separam as duas cidades são percorridos por uma ambulância da prefeitura para garantir o tratamento contínuo no Hemocentro. Desde a infância, as idas e vindas pela rodovia representam a busca permanente por qualidade de vida e cuidado especializado.

Para os dois irmãos, o Hemocentro ultrapassa a condição de unidade de saúde: tornou-se uma segunda casa. Saul Ezequiel frequenta a Instituição há 23 anos. “Conheço muitos funcionários. As enfermeiras que me viram crescer sempre comentam sobre o tempo que passou. O doutor Bêne (Benedito de Pina Almeida Prado Junior) e a doutora Ana Cristina( Silva Pinto) nos ensinaram a entender os limites do corpo e a conviver com a condição”, explica Ezequiel. Hoje, ele atua no setor de audiovisual e marketing digital com foco em saúde e mantém uma vida ativa com hábitos saudáveis.

Driele, por sua vez, enfrenta um quadro mais delicado. Diagnosticada aos 3 anos, a aposentada já sobreviveu a três acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e ajustou suas rotinas médicas de consultas mensais para bimestrais.

Apesar das limitações impostas pelos “altos e baixos” da patologia, os irmãos nutrem sonhos e convicções que os impulsionam a olhar para o futuro. Driele diz que tem lema. “Eu foco no que posso controlar e não adianta gastar energia com coisas que não consigo ter controle”. Com esse mantra, Adriele diz que concentra todas as forças no desejo “de ver a filha crescer”. Zhoe Laura de dois anos e meio. Já Saul trabalha com marketing digital e alimenta um sonho: “eu quero morar fora do país e rodar o mundo”.

Gratidão é a palavra que define a relação da dupla com a equipe médica e que os funcionários do Hemocentro de Ribeirão Preto que os acompanham há décadas. As orientações recebidas ao longo do desenvolvimento dos dois foram fundamentais para transformar o receio, o medo em aprendizado, ensinando-os a encarar a vida, mesmo com os limites da doença, com otimismo e vontade de viver.

Doença – A anemia falciforme é uma doença genética e hereditária caracterizada por uma alteração na hemoglobina, a proteína responsável por transportar oxigênio no sangue. Essa mutação faz com que os glóbulos vermelhos percam o formato arredondado e flexível e assumam a forma de uma foice ou meia-lua, o que dificulta a circulação sanguínea e provoca oclusão dos vasos, crises de dores intensas e danos a órgãos. A doença é transmitida quando pai e mãe possuem o traço falciforme e passam o gene mutado para o filho. É a condição genética hereditária mais prevalente no Brasil, afetando cerca de 60 mil a 100 mil pessoas. O diagnóstico precoce é realizado logo nos primeiros dias de vida por meio do Teste do Pezinho.

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Câmara de Ribeirão Preto homenageia Dra. Virginia Picanço por trajetória científica

A Dra. Virginia Picanço e Castro, coordenadora técnico-científica do Hemocentro de Ribeirão Preto, recebeu uma homenagem da Câmara Municipal de Ribeirão Preto, que reconhece o trabalho e a trajetória da pesquisadora, no Brasil e no exterior, na área de terapias celulares e gênicas. A entrega do diploma foi realizada nesta quarta-feira, 2 de setembro, pelo vereador Danilo Scochi, no Anfiteatro Azul do Hemocentro RP. Clique aqui e assista ao depoimento da cientista!

Vice-presidente da América do Sul e Central da International Society for Cell & Gene Therapy (ISCT), a Dra. Virginia se destaca por sua atuação estratégica no fortalecimento desse campo inovador, contribuindo para o desenvolvimento científico, a formação de recursos humanos e a ampliação do acesso a tecnologias avançadas em saúde.

A trajetória da cientista reflete seu compromisso com a missão e a visão do Hemocentro RP, que busca acelerar a transformação de descobertas científicas em terapias seguras e eficazes para a população.

Conheça melhor a homenageada

Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (USP), em 1999, a Dra. Virginia Picanço obteve o doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), em 2006, e realizou pós-doutorado em Ciências Biomédicas pelo Departamento de Clínica Médica da FMRP-USP, entre 2006 e 2009.

Atuou como pesquisadora sênior na empresa de biotecnologia Vertias, localizada na incubadora Supera Parque de Inovação e Tecnologia, no campus da USP, entre 2010 e 2011. Foi pesquisadora visitante no Laboratório de Drug Discovery da Purdue University, nos Estados Unidos, entre 2017 e 2018, e no Departamento de Basic Medical Sciences da mesma universidade, entre 2019 e 2020. Possui MBA em Gestão da Inovação e Capacidade Tecnológica pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), concluído em 2023.

Atualmente, é pesquisadora do Hemocentro RP, onde conduz projetos nas áreas de terapia celular, com foco em células T e NK geneticamente modificadas, produção de vetores virais e não virais e produção de fatores recombinantes.

Mantém colaborações internacionais com a Purdue University (EUA), a Technical University Dresden (Alemanha) e a University of Queensland (Austrália).

É membro ativo da gestão da Associação Brasileira de Terapia Celular (ABTCel-Gen), onde atua como 1ª secretária.

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Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto abre vaga de Bolsa para Laboratório de Pesquisa

A Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto oferece a Bolsa FNS 952424/2023 para a seguinte área:

01 (uma) vaga para Laboratório de Pesquisa

Exigências:

  • Graduação completa na área da saúde (Biomedicina, Farmácia, Biologia, Engenharia de Produção, Engenharia Química, Química ou Biotecnologia);
  • Mestrado completo em Ciências da Saúde, Ciências Biológicas ou áreas afins;
  • Mínimo de 02 (dois) anos de experiência em atividades de pesquisa, desenvolvimento ou inovação;
  • Desejável experiência em Gestão da Qualidade, Análises Laboratoriais Moleculares e Desenvolvimento de Métodos Analíticos.
  • Disponibilidade de horário para carga horária semanal de 40h.
  • Não serão admitidas inscrições de ex-empregados que mantiveram vínculo com a Fundherp (celetista ou pejotização) e que tenham tido o contrato rescindido.

Duração:

A bolsa terá validade inicial de 12 (doze) meses, com possibilidade de prorrogação.

Regime de bolsa:

O bolsista terá direito, mensalmente, a uma bolsa auxílio no valor de R$ 3.120,00.

Critérios da seleção:

Fase I – Análise Curricular – eliminatória;
Fase II – Entrevista – eliminatória e classificatória.

Inscrições:

Enviar os documentos abaixo até 08/09/2026, mencionando no assunto “Bolsa Mestrado”, para o e-mail: processoseletivo@hemocentro.fmrp.usp.br

  • Currículo;
  • Carta de motivação (com resumo das experiências relacionadas ao cargo);
  • Certificado ou Declaração de Conclusão de curso de Graduação e de Mestrado.

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Professor Leandro Colli é um dos 28 pesquisadores premiados no mundo pela ESMO

Professor Leandro Colli é um dos 28 premiados com o ESMO – Leadership and Career Development Award

O professor Leandro Colli, da FMRP, está entre os 28 pesquisadores selecionados em todo o mundo para participar do programa da ESMO, que integra desenvolvimento de projetos, treinamento de liderança e atuação institucional. Os contemplados liderarão iniciativas em pesquisa clínica, translacional e capacitação, gerando novos conhecimentos para aprimorar o cuidado aos pacientes. Ao conectar profissionais a instituições de referência global, o programa estimula a colaboração e a inovação em oncologia. O reconhecimento formal ocorrerá durante o Congresso da ESMO 2026, no dia 26 de outubro, em Madri, Espanha.

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4ª Reunião Científica do INCT-TOP aborda nova estratégia para melhorar o tratamento do AVC isquêmico

A 4ª Reunião Científica do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Terapia Oncológica de Precisão (INCT-TOP), realizada no dia 28 de agosto, no Anfiteatro Vermelho do Hemocentro de Ribeirão Preto, abordou o tema “Tirofibana como terapia adjuvante à trombectomia mecânica no acidente vascular cerebral isquêmico agudo: ensaio clínico randomizado de fase 2”.

O trabalho foi desenvolvido pelo pesquisador e médico assistente do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HCFMRP-USP) Luís Henrique de Castro Affonso, sob a supervisão do Prof. Dr. Daniel Giansante Abud, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP).

A trombectomia mecânica é um procedimento utilizado para retirar o coágulo que bloqueia uma artéria do cérebro durante um AVC isquêmico. Embora o tratamento consiga restabelecer o fluxo de sangue em muitos casos, nem sempre a circulação cerebral é completamente recuperada.

A pesquisa vai avaliar se a tirofibana, um medicamento que reduz a formação de novos coágulos, pode ser usada como complemento à trombectomia para melhorar a circulação do sangue no cérebro.

O estudo será realizado na Unidade de Emergência do HCFMRP-USP e deverá incluir 66 pacientes. Os pesquisadores vão comparar candidatos que receberão uma dose única do medicamento com aqueles que seguirão apenas o tratamento padrão.

O objetivo é verificar se a tirofibana pode melhorar a recuperação do fluxo sanguíneo e contribuir para uma recuperação neurológica mais efetiva, sem aumentar de forma significativa o risco de sangramento. Os resultados poderão ajudar no desenvolvimento de novas estratégias para o tratamento do AVC isquêmico.

O evento foi organizado em parceria com o Departamento de Imagens Médicas, Hematologia e Oncologia Clínica (RIO) da FMRP-USP.

O INCT-TOP é uma rede interdisciplinar de pesquisa que reúne especialistas das áreas de ciências básicas, pré-clínicas e clínicas, com foco na identificação de novos alvos terapêuticos, no desenvolvimento de terapias personalizadas e na implementação de estratégias inovadoras em Medicina de Precisão.

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O Conselho de Curadores reconduz o professor Rodrigo Calado e a professora Fabíola Traina para a direção do Hemocentro por mais quatro anos

O Conselho de Curadores da Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto (Fundherp) aprovou ontem a recondução do professor doutor Rodrigo do Tocantins Calado De Saloma Rodrigues para o cargo de diretor-presidente executivo e da professora doutora Fabíola Traina como diretora técnico-científica para um novo mandato de quatro anos, durante a 169ª sessão ordinária do órgão.

A decisão garante a continuidade da gestão no período de 01/09/2026 a 31/08/2030, reforçando o compromisso com a excelência nas atividades assistenciais, de pesquisa, ensino e inovação desenvolvidas pela equipe do Hemocentro. Com a renovação, o conselho demonstra reconhecimento do trabalho sério, dedicado e de excelência que toda a equipe da Fundação Hemocentro vem desempenhando ao longo dos últimos anos.

Presidente – O professor Rodrigo Calado é graduado em medicina (1997), doutor em clínica médica (2003) pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) e médico hematologista e hemoterapeuta (2001) pelo Hospital das Clínicas da FMRP-USP. Fez pós-doutorado nos National Institutes of Health, em Bethesda, Maryland, EUA, onde também trabalhou como staff scientist do Hematology Branch até 2011. O interesse em pesquisa é focado no estudo dos mecanismos da falência da célula-tronco hematopoética e de novas formas de tratamento, incluindo as imunoterapias e terapias celulares avançadas. Descreveu, pela primeira vez, mutações no gene da telomerase em doenças humanas (anemia aplástica e leucemia aguda) como fator predisponente.

Demonstrou como os hormônios podem regular a atividade da telomerase e ser usados como tratamento. Também demonstrou como o encurtamento telomérico pode causar doença hepática e hematopoese clonal. Foi chair do Subcommittee on Emerging Gene and Cell Therapies da American Society of Hematology (2021). Também foi coordenador da Medicina II da Capes e coordenador de Área da Saúde I da Fapesp. Foi pró-reitor de pós-graduação da Universidade de São Paulo de 2023 a 2026. Atualmente é diretor-presidente da Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto e presidente do Conselho Científico do Institut Pasteur de São Paulo.

Diretora – A professora Fabíola Traina graduou-se em medicina pela UNICAMP (1997), onde também realizou a residência médica em hematologia e hemoterapia (1998-2000) e transplante de medula óssea (2001), com treinamento complementar em transplante de medula óssea na Seattle Cancer Cell Alliance (Seattle, EUA) (2003). Obteve seu doutorado em fisiopatologia médica pela Universidade Estadual de Campinas (2007) e pós-doutorado na Cleveland Clinic (Ohio, EUA) (2011). Trabalhou como hematologista e pesquisadora colaboradora na UNICAMP entre 2004 e 2013. Em 2013, assumiu o cargo de professor doutor do Departamento de Clínica Médica na FMRP USP.

Atualmente, é professora titular (MS-6) e vice-chefe do Departamento de Imagens Médicas, Hematologia e Oncologia Clínica da FMRP USP, coordenadora e supervisora do Centro de Transplante de Medula Óssea do HC FMRP USP e diretora técnico-científica do Hemocentro de Ribeirão Preto. Além da dedicação ao ensino de graduação, pós-graduação e às atividades de extensão, atua na pesquisa.

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Irmão doa medula para irmão

De volta para casa, Rondônia, Francisco Tomé Caires, de 17 anos, celebra o fim de uma longa e vitoriosa jornada no Hemocentro e HC Ribeirão. Natural de Rondônia, o jovem agora se prepara para deixar para trás os dias mais difíceis da sua vida e retomar a rotina no campo. “Comparando com tudo o que passei, hoje é só agradecer a Deus”, comemora.

Diagnosticado com anemia aplástica, o jovem dependia de transfusões de sangue frequentes e precisava de um doador compatível para realizar o transplante de medula óssea. A situação trouxe dias de apreensão para toda a família. “Não existe dor maior para uma mãe do que ver o filho correndo risco por falta de sangue. Foram dias de muita luta e incertezas”, relembra a mãe, Iranir Tomé Vieira.

Para realizar o transplante, Francisco precisou ser transferido de avião para o HC Ribeirão, a mais de dois mil quilômetros de sua casa. Acompanhado pela mãe, encontrou no hospital a esperança de superar a doença, enquanto o restante da família permanecia no Norte do país à espera de boas notícias.

A possibilidade do transplante surgiu dentro da própria família. O irmão do meio, João Pedro, de 19 anos, realizou os exames e revelou-se 100% compatível para a doação. O procedimento foi realizado com sucesso e Francisco não apresentou intercorrências durante o tratamento. Para a família, a experiência reforçou ainda mais a união entre os irmãos.

A presença da mãe também foi fundamental durante todo o tratamento. Iranir acompanhou o filho durante a rotina hospitalar e esteve ao seu lado em cada etapa da recuperação. “O meu sentimento por ela é muito mais do que amor. Se não fosse pela minha mãe, eu não estaria aqui hoje. Sou eternamente grato por tudo que ela fez e continua fazendo por mim”, emociona-se Francisco.

Agora, livre da dependência dos leitos hospitalares, a família retorna para Ji-Paraná, RO, onde dará continuidade no tratamento no Hospital Regional de Cacoal, embora continue em acompanhamento médico e com medicação até a alta final. Ele já teve duas consultas online com os profissionais do Hemocentro e do HC Ribeirão. “Ele está indo muito bem, mas é necessário todo o cuidado”, afirma a mãe.

Agora, como ele mesmo diz, “é olhar para frente”. Com a alta, o sentimento é de alívio e de recomeço, com novos planos para o futuro. “Para nós dois, o sentimento de hoje é um só: vida nova, muita saúde e felicidade”, finaliza Iranir.

 

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Pesquisa do Hemocentro RP desenvolve nova estratégia para potencializar células CAR-NK contra o câncer

Uma nova estratégia de terapia celular pode ajudar a tornar as células CAR-NK mais eficientes no combate a leucemias e linfomas de células B. A proposta combina o ataque direto às células tumorais com uma segunda função: reduzir a capacidade do próprio sistema imunológico de bloquear a ação das células terapêuticas.

No estudo “Coexpression of GITRL confers resistance to Treg cell-mediated immunosuppression to anti-CD19 CAR-NK cells”, publicado na revista Frontiers in Immunology, pesquisadores do Laboratório de Biotecnologia do Hemocentro de Ribeirão Preto/CTC-USP, coordenados pela Dra. Virginia Picanço e Castro, desenvolveram células CAR-NK anti-CD19 modificadas para produzir uma molécula chamada GITRL. Por isso, elas foram denominadas CAR19-GITRL-NK.

As células NK, sigla para natural killer (“assassinas naturais”), fazem parte do sistema imunológico e têm a capacidade de reconhecer e destruir células anormais. Na terapia CAR-NK, essas células são geneticamente modificadas para receber um receptor quimérico de antígeno (CAR), que funciona como um sistema de reconhecimento capaz de direcioná-las contra determinados alvos presentes nas células tumorais.

🎯 Neste caso, o alvo escolhido foi a molécula CD19, encontrada em células B malignas, presentes em algumas formas de leucemia e linfoma.

Um segundo desafio: o ambiente do tumor

Um dos obstáculos para as terapias celulares contra o câncer é o chamado microambiente tumoral. Além das próprias células cancerígenas, esse ambiente contém células e moléculas que podem diminuir a resposta imunológica.

Entre elas estão as células T reguladoras (Tregs), cuja função normal é controlar a intensidade das respostas do sistema imunológico. No câncer, porém, elas podem contribuir para a supressão da resposta antitumoral, dificultando a ação das células terapêuticas.

🔎 Foi justamente esse problema que os pesquisadores buscaram enfrentar.

Ao adicionar o GITRL às células CAR-NK, a estratégia busca interferir na atividade das células T reguladoras. O GITRL interage com o receptor GITR, encontrado em níveis elevados nas Tregs, podendo modificar sua função.

Assim, as células CAR-NK passam a apresentar duas características complementares: reconhecer e destruir as células tumorais e, ao mesmo tempo, enfrentar um dos mecanismos que podem impedir sua atuação.

Células mais preparadas para combater o tumor

Os experimentos mostraram resultados promissores. As células CAR19-GITRL-NK apresentaram maior capacidade de expansão e alterações metabólicas associadas a um funcionamento mais eficiente.

A abordagem poderá contribuir para o desenvolvimento futuro de terapias celulares mais potentes contra leucemias e linfomas de células B, ampliando o potencial das tecnologias baseadas em células NK geneticamente modificadas.

📺 Assista abaixo ao depoimento gravado pela Dra. Dayane Schmidt, uma das autoras do estudo, para a TV Hemocentro RP, e saiba mais!

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